
segreda-me
com a música dos dedos
a transparência do vento
quando embala os instantes do amor.
deixa que a noite respire com mãos de lua
a curva do meu ventre.
e trémulo
invade o meu corpo
com as febres de Outono.
ft : erg chebby
Ouço-te na quietude da noite...quase te toco, nas sílabas de uma voz sobrevivente !
http://ortografiadoolhar.blogspot.com/
Com o silêncio a superar a voz
impões a respiração aberta à geografia da sílaba.
imbuído de silêncio muito branco
um rio
e barcos de assombro a escorrer a pele
como as águas cicatrizadas da cascata.
tudo se presume como um bando de aves
no final da voz entumecida das marés
quando os pretéritos já são velas
entre as sombras e as águas.
recolhida à grandeza de palavras tuas
espanta-me a vontade de perguntar
______ em que ventos geminaste?
em que luzes
em que fontes
em que mares de fogo te banhaste?
em mim a primavera já foi ontem
e neste janeiro frio o segredo do meu riso
é ainda a memória das ondas
na eternidade apaziguadora do teu verbo.
e
[prometo
do rumor gasto das minhas mãos
abrirei o azul da utopia
ao voo das garças abatidas pelo céu.
Foto: marion iordache