sexta-feira, 13 de abril de 2012


havemos de falar da chuva que se antecipa ao nascimento.
também do sopro que amanhece os nomes nos dentes
quando a inutilidade das mãos certifica a transparência da sombra.
 não foi ontem que o sol ardeu a última árvore
a luz ainda te esmaga num esplendor de delírio
se uma borboleta te eleva ao pensamento.
então    a grande copa   vulto que se assombra de recolhimento
desobedece ao silêncio que gravita sob os séculos da minha boca.
dir-me-ás que o tempo é uma água que retalha a memória da luz
mas o olhar não se esgota se existimos com crateras inflamáveis junto ao sono.
e a água    meu amor     é o idioma que fustiga o sangue
quando uma flor negra ensaia o poente contra o chão.
ainda não sabes    mas os dias são uma árvore que nos prolonga na dor
desde a comoção da primavera até ao joelho do medo.
e tudo o que se agita  entretanto  é movimento impossível contra o archote da morte.
então   este lugar   onde os lobos avançam para um coração assim exposto
perverso fado no absoluto flagelo de esgotados paradigmas
assim    a árvore   um corpo inteiro lançado à linguagem do rio.
e  para sempre este nó de pequenas sílabas: o teu nome preso aos dentes
 como se dele extraísse o mais humano ângulo da sombra.

ft: katia ch

31 comentários:

Hanaé Pais disse...

Os paradigmas nunca se esgotam...
E a memória da luz mantem-se Sempre no pensamento...
Sempre!

Graça Pires disse...

Não foi ontem que deixaste aqui o último poema... Não foi ontem que as borboletas espantavam os teus olhos de menina... Hoje, quando a vida é mais cruel, sabes dizer-nos que nem sempre o silêncio é o melhor caminho. Há que fazer um poema assim, donde "extraímos o mais humano ângulo da sombra". Belíssimo!
Um grande, imenso beijo,Maré.

Maria disse...

e eu que só queria ler.te porque saudades tinha
fico com um nó na garganta o sangue fustigado
pela água que sai do meu olhar.
belo o teu poema!

beijo, Maré.

Luis Eme disse...

perverso fado é também a tua ausência...

talvez seja mais do ângulo da sombra, menos da chuva de Abril.

beijos Maré

Mar Arável disse...

Em Abril tudo floresce

até as suas palavras

Janaina Cruz disse...

Uma cria perfeita, um misto de existencialismo lírico e onírico, eu amei... Quando crescer, quero escrever assim!

Sigo o blog com prazer.

Abraços

heretico disse...

poema lunar. cintilante em sua luminosidade coada...

belissimas imagens.

beijo

© Maria Manuel Rocha disse...

os teus poemas nunca têm palavras que deles se fale, são indizíveis.

Querida maré, queria agradecer-te as sempre gentis partilhas de poemas, tão belos e intensos.
E gostava de agradecer a todos os que, durante estes anos (quase a fazer 4) me visitaram, leram, gostaram ou não, comentaram, deixando palavras de apreço, bastante estimulantes para mim.
Mas, nesta fase da vida, sinto indisponibilidade várias não me permitem repartir-me por várias tarefas. E não tenho conseguido ler, visitar-vos nos vossas espaços da palavra (que saudade de vos ler!)
de vez em quando,.
Não digo «adeus», até porque de vez em quando ainda venho aqui, deixar um “post”, mas com muito menos assiduidade.
Então, digo “até já! E deixo um abraço poético,
Maria Manuel

Anónimo disse...

Os paradigmas nunca se esgotam...
E a memória da luz mantem-se Sempre no pensamento...
Sempre!

Anónimo disse...

Não foi ontem que deixaste aqui o último poema... Não foi ontem que as borboletas espantavam os teus olhos de menina... Hoje, quando a vida é mais cruel, sabes dizer-nos que nem sempre o silêncio é o melhor caminho. Há que fazer um poema assim, donde "extraímos o mais humano ângulo da sombra". Belíssimo!
Um grande, imenso beijo,Maré.

Anónimo disse...

e eu que só queria ler.te porque saudades tinha
fico com um nó na garganta o sangue fustigado
pela água que sai do meu olhar.
belo o teu poema!

beijo, Maré.

Anónimo disse...

perverso fado é também a tua ausência...

talvez seja mais do ângulo da sombra, menos da chuva de Abril.

beijos Maré

Anónimo disse...

Em Abril tudo floresce

até as suas palavras

Anónimo disse...

Uma cria perfeita, um misto de existencialismo lírico e onírico, eu amei... Quando crescer, quero escrever assim!

Sigo o blog com prazer.

Abraços

Anónimo disse...

poema lunar. cintilante em sua luminosidade coada...

belissimas imagens.

beijo

Anónimo disse...

os teus poemas nunca têm palavras que deles se fale, são indizíveis.

Querida maré, queria agradecer-te as sempre gentis partilhas de poemas, tão belos e intensos.
E gostava de agradecer a todos os que, durante estes anos (quase a fazer 4) me visitaram, leram, gostaram ou não, comentaram, deixando palavras de apreço, bastante estimulantes para mim.
Mas, nesta fase da vida, sinto indisponibilidade várias não me permitem repartir-me por várias tarefas. E não tenho conseguido ler, visitar-vos nos vossas espaços da palavra (que saudade de vos ler!)
de vez em quando,.
Não digo «adeus», até porque de vez em quando ainda venho aqui, deixar um “post”, mas com muito menos assiduidade.
Então, digo “até já! E deixo um abraço poético,
Maria Manuel

O Profeta disse...

Um sótão cheio de lembranças
Escrevi no pó palavras sem nexo
Retirei uma cartola de uma caixa de cartão
E senti ao toque o poder da ilusão

Ilusões…
Um cavalo de pau perdido ao carrocel
Uma estola de um bicho qualquer
Uma escultura talhada a cisel

Uma foto a preto e branco
De uma mulher sem rosto
Uma janela virada para nenhum lado
Uma traquitana a imitar o sol-posto

Terno abraço

Anónimo disse...

Um sótão cheio de lembranças
Escrevi no pó palavras sem nexo
Retirei uma cartola de uma caixa de cartão
E senti ao toque o poder da ilusão

Ilusões…
Um cavalo de pau perdido ao carrocel
Uma estola de um bicho qualquer
Uma escultura talhada a cisel

Uma foto a preto e branco
De uma mulher sem rosto
Uma janela virada para nenhum lado
Uma traquitana a imitar o sol-posto

Terno abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

o tempo será a água que se esvai lentamente..

gostei de ler-te.

beij

Anónimo disse...

o tempo será a água que se esvai lentamente..

gostei de ler-te.

beij

Jaime A. disse...

Tão belo, tão tintado, no entanto maravilhoso...
Adorei as últimas estrofes.

Luis Eme disse...

olá, como vais?


beijinhos e abraços

Poesia Portuguesa disse...

Deixas-me emocionada com este poema... li-o e reli-o para o entranhar na minha alma!
Gostei muito de te ter conhecido pessoalmente no lançamento da "nossa" Graça Pires.
Um grande abraço.

© Piedade Araújo Sol disse...

e para quando o teu regresso, aqui?!

beijinho

Lídia Borges disse...

"...a árvore um corpo inteiro lançado à linguagem do rio"

Vale um poema inteiro.

Lídia

Luis Eme disse...

FELIZ 2013!

Beijos

AmantedasLeituras disse...

adorei!

Gostaria de deixar o convite para conhecer o grupo amante das leituras. existimos desde 2006 e procuramos os melhores da língua portuguesa. esperamos por si.
amantedasleituras

Maria disse...

Tive saudades.
E vim reler-te.
Bom 2013, Maré.
Beijos.

Cristina Cebola disse...

Entrei...e encantei-me! Deixo beijos e abraços em mares de afectos...

Maria disse...

Acabo de perceber que tens por aqui um 'eco' nos comentários.......
Vim reler.te, em Abril!
Beijo, Maré

© Piedade Araújo Sol disse...

é abril e voltei aqui para reler...

:)