
órfãos
mendigamos ao céu o código de uma estrela:
um ventre redondo onde semear um campo de lírios.
e nascemos nus.
os lábios de veludo contra a neve
e a lucidez de um cabaz de frutos loucos
a esterilizar a voz.
uma asa aguda corta o renque de luz
o ímpio desterro é o berço onde o corpo adormece.
caos e orfandade
um pulso carnívoro a devorar o milagre.
assim nascemos da humidade da noite
com uma genética fome nos olhos
e a absoluta cegueira das mãos
e nascemos nus
rosas brancas com um corpo de incêndio.
a todos
um Natal redentor. de pródiga luz
foto : autor desconhecido. retirada da net
e Anunciação de Bento Coelho


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