domingo, 27 de fevereiro de 2011




envelheço com as mãos presas ao lugar de todas as ausências.


não há viagem que sirva como casa definitiva ao nome que as percorre

nem argumento provisório se aos dedos aflitos

só a memória se recolhe.

e não há rosto para o rudimento da verdade.

a palavra que me reflecte para lá do espelho

é a inventada circunstância de qualquer peregrinação

tão triste de anunciações: uma poalha negra

no intervalo que se ergue às minhas pálpebras.

e todos os gritos são pretéritos irrepetíveis

a face esmagada de um anjo do dizível.

envelheço com a boca muda, na salga da palavra impossível

até que se destruam as fábulas.


dobro os joelhos: as mãos de outros dias

como uma brandura atravessada de ruína.



ft: katia ch

20 comentários:

d'Alma disse...

Há triângulos abertos, em que os lados flutuam na gravidade convergente das arestas!... Algo impede o toque e a união que permite a forma!... E voltamos às estradas paralelas onde os passeios são atropelados pelo medo, pela fraqueza do que parecia fazê-las fortes; afinal, escondem-se, como ratas húmidas, na secura dos desejos... e da dedicatória das sarjetas celestiais!... Como asas agradecidas no reflexo dos céus, para além dos espelhos escondidos na penumbra da palavra!...
No final, apenas restou um triângulo decomposto de três corpos... quase verdadeiros!




Boa Semana





Abraço

Luis Eme disse...

não envelheces nada assim...

beijos para ti e para a Alice

Luana Figueiredo disse...

Todos os teus poemas são tristes parece-me que vives uma vida triste de agonia e espanto.

_Um beijo..D

heretico disse...

dolente. como rio na paisagem...

a Alice merece.

bejos (repartidos)

maré disse...

...

à noite, os animais deitam-se na poalha da sua existência e lambem as patas.

Mar Arável disse...

Envelheces?

porque todos desnascem

Só devíamos envelhecer de pé
como as tuas palavras
nunca como os teus joelhos

Estimada amiga perdoe o desaforo
"levantado do chão"

Graça Pires disse...

Um poema lindíssimo, de quem está preparada para todas as eventualidades e tem uma trajectória privada em suas mãos.
Um beijo, miúda.
Um beijo para a Alice. Foi lindo dedicares-lhe o poema.

margarida disse...

Soberbo. Parabéns.

PAS[Ç]SOS disse...

soam maneáveis
as palavras reiteradas
pelos dedos que não dizem
mas tangem cordas de receio
no corpo duma caminhada
onde a memória se abriga,
além-espelho mora a imagem
de quem ditou essas palavras
criadas num tempo que envelhece,
mas eternamente ligadas
ao nome que as chamou.

Jaime A. disse...

a dor, o sofrimento solitário de quem escreve, um rosto +ara o rudimento da verdade...
... busca infinita da poesia, caminho do tempo...

lobices disse...

...gosto

alice disse...

a alice agradece comovida*

(só não escrevi nada antes por manifesta falta de saber o que dizer para além de um sincero e grato bem-hajas)!

Anónimo disse...

"a palavra que me reflecte para lá do espelho é a inventada circunstância de qualquer peregrinação"



muito belo.



beijo L.



mjq

gabriela r martins disse...

porque tardas ,POETA?



.
um beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

nostalgico, a rever um momento (esperado) mas que se envelheçam , apenas as ausências.

beijo para a Li e paa ti

alice disse...

feliz dia da poesia, minha amiga*****

Anónimo disse...

obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

pelo abraço com rosas.





muito.






imf

Virgínia do Carmo disse...

Por mais que o pensamento decifre nunca haverá razão para tanta sensibilidade.

Um Beijo terno, Maré

Luis Eme disse...

estou aqui sentado, à tua espera.

não se está nada mal, sempre vou lendo e ouvindo música.

beijos Maré

lupuscanissignatus disse...

o sal

da

in/
quietude



*beijo,
Maré*