domingo, 14 de fevereiro de 2010










entre dois passos
dividimos a sombra
sob o tronco da noite

vagabundos de nós
regressamos do medo
para o princípio do mundo.

profanadas mãos:

um coágulo queimado
pretérita luz
sedada no estertor do frémito.

que nome dar à febre das rosas
quando a terra se esteriliza sob as unhas?







foto: rattus e celio abreu

28 comentários:

arabica disse...

...que nome dar à sombra do ventre
nas mãos? Poesia pura.absoluta.

Um beijo, Maré (ainda) de espanto :)

Lídia Borges disse...

"entre dois passos
dividimos a sombra
sob o tronco da noite"

Muito bonito.

L.B.

© Piedade Araújo Sol disse...

palavras que transbordam poesia pura e envolvente.

beij

.Leonardo B. disse...

[duas entradas pode ter um caminho, se não se procurar uma saída, sobretudo tapete de retrocesso]

um imenso abraço

Leonardo B.

arabica disse...

Quero, pois. Já o tenho.
:)

(Por vezes somos cegos aos sinais das sombras)

Luis Eme disse...

é um dilema, mais um.

mas pelo menos regressamos do medo e dividimos a sombra...

bjs Maré

maré disse...

querida Y


se pudéssemos ser mais, muito mais que um estremecimento. mais que um vestido bordado na extensão da névoa. um lugar aveludado onde a luz é cama semântica. e seriamos canto .canto gregoriano sem falhas fonéticas. e seriamos muito.
mais que cárcere. que a duna é um estremecer de areias no picanço de ventos. saliente lugar e haste de espinhos.
pudéssemos nós atravessar a cidade com pássaros nos ombros e subtrair às perguntas o rosto que nos sua o medo. para incendiar o rosto inenarrável do frio.

beijo imensíssimo

Virgínia do Carmo disse...

Existem à flor dos mares coisas imensas que não precisam de nome...

Beijo, Maré, igualmente terno!

Maria disse...

que nome dar à febre de te ler?
terra fecunda. a chuva a cumprir a natureza.

Beijo, Maré.

Chris disse...

Palavras na sombra dum poema magnífico!
Um beijo
Chris

maria josé quintela disse...

chamar-lhe-ia poema se o belo tivesse nome...





beijo maré.

Mar Arável disse...

Vagabundos de nós

à pergunta

de outras flores

Bjs

Licínia Quitério disse...

Que nome dar à claridade quando tudo é sombra?

Belíssimo, Maré.

A.S. disse...

Profanadas as mãos
na pretérita luz,
as súplicas esvoaçam,
os ecos se tornam palpáveis
na procura de um nome
para a febre das rosas...


Abraço...
AL

ausenda disse...

Na sombra de todos os medos...as entranhas das tuas mãos de poesia!

Grata pelo momento!

beijo

isabel mendes ferreira disse...

a febre da escrita feita pomar do paraíso.


isso sim. a dois passos a mil passos de saber dizer. como a Maré diz.

alto.


______________e beijo.a________.

gabriela r martins disse...

para a L ( Maré de Espanto maior )

foi tão bom ,tão bonito o nosso encontro no Porto .se o ler.te já era ,para mim ,um en canto ,conhecer.te foi uma doçura ,menina bonita .obrigada pela deslocação - Aveiro // Porto - obrigada pelas palavras .obrigada pela partilha .obrigada pela amizade



.
um beijo

alice disse...

que tal dar-lhe o nome da ternura? :) um beijinho, maré*

augusto, um entre mil disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
augusto, um entre mil disse...

Porque gostava de dizer aqui uma coisa bonita mas não sei, digo


gostei.

lupussignatus disse...

de seda

o trono

da noite





*fica bem
Maré*

Graça Pires disse...

Que nome dar às rosas? Que nome dar às palavras sem sombra abertas a toda a luz e a todo o espanto?
Um beijo enorme, Maré.

heretico disse...

"febre das rosas". tão belo - (re)invenção da palavra poética!

poema de antologia!

beijo

Nilson Barcelli disse...

Parabéns pelas belíssimas imagens poéticas que criaste neste magnífico poema.
Bom fim de semana, querida amiga.
Um beijo.

Isabel disse...

hoje o nome é rosário. de prece. de beleza retanta.






.


beijo Maré Alta. sempre.

Isabel disse...

e sim. podemos.



com o mundo da sua sensibilidade.fascinante!

Latitudes disse...

Maré de Espanto…
meu deslumbramento!
o primeiro passo
para o encantamento das
sombras que partilhamos…
enquanto delírios de rosas
nos perseguem os sonhos…
lugar onde tudo o que é febril desperta
no entardecer exaltado dos corpos…
cântico que arrepia a luz que nos envolve…

enquanto o segundo passo se inicia…
e as mãos… colhem com firmeza
tão bela poesia!!!

Latitudes disse...

essa tão inspirada inquietação…
…incendeia tudo que não somos ainda… possibilita o atravessamento, sem medo, das “cidades com pássaros nos ombros”… liberta as emoções vibrantes que esvoaçam no peito… provoca a erupção da poesia incandescente que trazemos dentro: lava que solidifica nas encostas íngremes do poema… como palavras que afloram à crosta vulcânica do verbo…
seríamos muito mais do que isso… se pudéssemos vomitar estrelas… ou apenas num sopro, dar vida às nuvens… moldar montanhas como se os nosso dedos tivessem a força das marés que nos trouxeram até aqui… e seríamos muito mais do que isso… se não morressem também os nossos sonhos…