domingo, 25 de outubro de 2009






estalo essa rubrica que se fez espanto no meu corpo
depois, deixo o vento viciar a embriaguez
que ficou dos frutos doces sobre a pele
e escrevo um pulmão novo sobre os lábios.
marco a distancia que interdita o teu corpo à insensatez das minhas mãos
e como se fosse feita de barcos
recolho a luz embaciada de outras luas
para queimar as noites mais antigas
onde um rumor de fogo a sul adormece a ousadia de outra rota.



fts: mário rocha e marta ferreira

32 comentários:

Luís disse...

e se o rumor quente a sul acordasse a ousadia de não uma, mas outras rotas?

bjs Maré

(luis eme)

isabel mendes ferreira disse...

Que estalo! de luz. interior. tão rumor de marés___________Maré!


abraço.com beijo.

Maria disse...

deixa a insensatez respirar
no pulmão
dos teus lábios
mãos mãos mãos...

Beijo, Maré
(tão cheia, hoje)

Isabel disse...

eu acho que podia pedir à Maria Quintans da Inutil para levar a revista a Aveiro....:)


re.beijoooooooooooooooooooo!




com sol.

Isabel disse...

http://bandida-bandida.blogspot.com/





(ela mora aqui)



:)


y.

Mar Arável disse...

Rasgo a sul

o rumor de algumas marés

só para te ver

nem que só um rumor


Bjs

maria m. disse...

a sensualidade que percorre o poema. a «luz embaciada» das noites. as rotas por ousar. o meu deslumbramento perante a tua poética, Maré!

beijo.

lupussignatus disse...

navegar

a brisa

dos

sentidos



*beijo*

maria josé quintela disse...

passo a passo, a confecção de uma receita.



de luz.




beijo.

ausenda disse...

Ousado o caminho que se escreve, com um pequeno rumor de fogo...!

Beijo, Maré

maré disse...

Isa

porque se amanhece com poeira à porta da alma
e da alma se faz escarpa e pulmão
respiro-A
como quem tece os ramos onde nidificam as aves
à sombra de um caudal farto que se acrescenta de afectos

*
beijo, imenso

ps. iluminada ideia!...

bati na vidraça, espreitando o amanhã sem fronteiras :)

AnaMar (pseudónimo) disse...

Ousa.
E a poesia acontece.
Bela.
Cintilante.

Bj

isabel mendes ferreira disse...

(como rumor breve____________re.passo)




beijo M.

lobices disse...

...ouso outra rota...
...gostei

José da Silva Martins disse...

Ouse o quanto quiser amiga Maré aqui nasce poesia.
E da boa.

Beijo.

José da Silva Martins disse...

As fotos são excelentes. Boa escolha.

Graça Pires disse...

Feito de barcos este rumor de luz que incendeia os teus olhos.
Um beijo enorme, maré.

maré disse...

à Y


nem o veemente silêncio da escrita, nem o confronto incoerente da alma e da coisa verbaliza a liquidez do pensamento. o átomo (i)material que vibra de ciclos pérfidos onde germina a semente e nada permanece onde só o gesto caligráfico recria o discurso de incessantes esforços. às vezes desistente de fontes. de fogo. antes repetidos dialectos de sangue . presas fáceis das lacunas da luz .essa de que se re nasce sem margens ou logos. dia após dia .essa que mutila de um fulgor que foi trevo falso. que dói.

_______ perdoe-me.
não resisti à desdobra do verbo :)
um beijo, ternamente acústico.

Isabel disse...

"perdoada"....:) pelo "mapear" das palavras aqui/ali expostas como virgulas apenas.


sensibilizada. muito.



que bom estar aqui assim. nunca mais vou abrir o piano....:) gosto mais de me "encontrar" assim.

o.b.r.i.g.a.d.a.


deixo um beijo...

Chris disse...

Recolher a luz quando o poema nos espanta e encanta...
Um abraço
Chris

Nilson Barcelli disse...

Gostei.
Uma demonstração cabal do não limite das ideias, materializada num excelente poema.
O final, por exemplo ("onde um rumor de fogo a sul adormece a ousadia de outra rota"), é brilhante.
Querida amiga, bom resto de semana.
Beijos.

maré disse...

à Gabriela

é impossível pisar o "Cante Chão"

na impossibilidade de transpôr a porta, mando-lhe um beijo numa asa


AnaMar

da mesma forma, incapaz de aceder e aceitar o convite para " um chã no deserto" e que bem saberia. :)

beijos

gabriela rocha martins disse...

se o espanto

AINDA

me espantasse

no encontro
das

MARÉS




.
um beijo

Virgínia do Carmo disse...

Submersa me fica alma no meu próprio espanto...

Um beijo e uma onda de doçura...

Spectrum disse...

Ou a coragem de viver.
Beijo

Arabica disse...

Nunca as marés se fizeram rogadas à ousadia do mar.

Tão pouco a poesia,
à ousadia do sentir.

Um beijo, Maré.

Vieira Calado disse...

Olá, amiga!

Este seu poema está bem muito escrito, com rigor e substância!

* * *

O livro vai a caminho.

Obrigado.

Beijinho

isabel mendes ferreira disse...

bom fim de semana....M.







beijo.

maré disse...

bom dia Isa


ventre e lágrima. espaçoso o tempo que foi colo e púlpito que a memória devolve e devora. a cada instante . nau mareante ao destino mais brando das lágrimas quando as mãos são a casa incofessa na implosão da ternura. líricos os dedos que afagam a página onde o silêncio é tempo em repouso. enlace suave. “somos carne e devir”. claustro e eco que os dedos da noite seguram.

_____

(curiosamente pensei-A, a ouvir Brad Mehldau)
a norte, há um névoa de finíssimas lágrimas.

.

terno o beijo voado até ao domingo a sul

JOSÉ RIBEIRO MARTO disse...

" escrevo um pulmão novo sobre os lábios » è enorme este verso , subescrevo-o há muito , e só aqui o vejo revelado, puro , liberto do jargão venenoso da língua...
um abraço
________ JRMARTO

gabriela rocha martins disse...

porque não sou feita de barcos regresso sempre ao sabor das marés

ao espanto....e (re)leio.te


.
um beijo

Jaime A. disse...

vejo a lua
que sobra dos dentes dos claustros;
os olhos mascaram-se de luz
e as sombras esquivam-se
à deriva do mar nas noites;
ouço as labaredas,
vejo o sonho na minha pele
e o espanto
inunda toda a tua escrita,
na vaguear de ousados espectros.

1 beijo nocturno