sexta-feira, 5 de junho de 2009


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recompostos de vento
surgimos do sinuoso obscurecimento.
trazemos uma matéria espessa colada às lágrimas
o embuste que embacia os lábios
e um rosto como um adeus
alongado pelo salitre do mundo.
pousamos o indecifrável nome das coisas
sequer a razão das fugas.
afinal quem fomos o que somos?
nós que um dia decidimos a trajectória dos passos pelos sinais do azul
obstinados no caminho onde os sussurros são mais cúmplices.
perseguimos a verdade de coisa nenhuma.
como companhia a incomensurável solidão das árvores
quando o sol se inclina com o peso das mãos cheias de febre.
quem somos se não sabemos regressar ao riso iluminado das crianças
à geografia de uma pátria que julgámos eterna?

recompostos de vento
surgimos para o lugar de nadas
as pálpebras cansadas de corpos invisíveis
até que a terra desperte de um doentio sono.

ft : kay holtmann

8 comentários:

Luis Eme disse...

perseguimos a sombra...

bjs Maré

mateo disse...

A miragem poderá ser o oásis na liturgia do caminho nesta vida.
Beijos.

PS: Que tema musical!

Arabica disse...

Somos nós o despertar da terra, Maré. E as verdades mutáveis, folhas de uma árvore que somos nós também.

Abraço.

gabriela rocha martins disse...

somos um tudo nada mais de azul

saciada ,rendo.me



.
um beijo

Graça Pires disse...

Recomposta do vento decido também a trajectória dos passos pelos sinais do azul. Posso?
Um grande beijo.

lupussignatus disse...

a

re
composição

dos

búzios

Mar Arável disse...

Que se recomponha o vento

Bjs

ausenda disse...

Afinal quem fomos o que somos? Será essa a necessária reflexão...
mas a trajectória certamente será pelos sinais do azul... é esse o caminho a seguir!
Adorei ler-te nesta prosa poética, tao reflexiva!

Beijos